segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Qual é a relação entre a CF 2015 e a catequese?*

Fernando Anísio Batista

A Campanha da Fraternidade de 2015 (CF 2015) nos convida a refletir sobre a relação entre a Igreja e a sociedade. Inicialmente seu tema já propõe a quebra de um paradigma do senso comum que diz que a Igreja não deve se envolver em assuntos sociais ou políticos, que sua missão é meramente a evangelização. Esse paradigma retém uma visão da propagação do evangelho afastado do mundo que vivemos, onde estabelece uma relação unilateral entre a pessoa e Deus, esquecendo-se da relação em comunidade e em sociedade, elementos que formam os três âmbitos da ação evangelizadora (pessoa, comunidade e sociedade).

A Igreja do Brasil com a CF neste tempo de quaresma, propício para reflexão e conversão, quer trazer presente as grandes decisões conciliares do Vaticano II (1962-1965) que propôs que a Igreja seja missionária, encarnada na vida do povo e com atenção especial aos pobres, atuando profeticamente na construção de uma sociedade justa e solidária.

A construção desta nova sociedade não se dará somente pelos doutores das leis, políticos ou grandes empresários, que estão atrelados ao dinheiro e ao poder. O próprio Jesus apresentou aos discípulos, e apresenta a cada um de nós, o verdadeiro itinerário necessário para as mudanças estruturais que a sociedade precisa, que se revela numa atitude de amor e compaixão aos irmãos/as expressa numa atitude de serviço e resgate da dignidade da pessoa humana como filho/a, imagem e semelhança de Deus: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos!” (Mc 9,35).

O cartaz da CF expressa a dimensão do serviço, onde o Papa coloca-se aos pés do próximo para lava-los, atitude que é a expressão de amor capaz de levar a pessoa a entregar sua vida pelo outro. Viver a dimensão do serviço é o primeiro passo para realizar muitas mudanças que a sociedade necessita. Essas mudanças serão possíveis de concretiza-las, trabalhando em conjunto Igreja e outras instituições de forma participativa, misericordiosa e samaritana, seguindo o próprio exemplo do Papa Francisco.


A catequese como espaço por excelência de formação da fé, não pode estar descolada da dimensão da vida. A formação desenvolvida pela catequese deve auxiliar os catequizandos a descobrirem qual deverá ser seu papel na sociedade, enquanto cidadãos, construtores de novos valores, necessários para contribuir para fortalecer o papel da Igreja na mudança da sociedade. Desta forma, a catequese estará contribuindo com a formação de novos cidadãos que atendem ao chamado de serem “Sal da Terra e Luz para o mundo” (Mt 5-13-16). 

* Artigo publicado no jornal Missão Jovem edição de março de 2015

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