Qual é a relação entre a CF 2015 e a catequese?*
A Campanha da Fraternidade de
2015 (CF 2015) nos convida a refletir sobre a relação entre a Igreja e a
sociedade. Inicialmente seu tema já propõe a quebra de um paradigma do senso
comum que diz que a Igreja não deve se envolver em assuntos sociais ou
políticos, que sua missão é meramente a evangelização. Esse paradigma retém uma
visão da propagação do evangelho afastado do mundo que vivemos, onde estabelece
uma relação unilateral entre a pessoa e Deus, esquecendo-se da relação em
comunidade e em sociedade, elementos que formam os três âmbitos da ação evangelizadora
(pessoa, comunidade e sociedade).
A Igreja do Brasil com a CF neste
tempo de quaresma, propício para reflexão e conversão, quer trazer presente as grandes
decisões conciliares do Vaticano II (1962-1965) que propôs que a Igreja seja
missionária, encarnada na vida do povo e com atenção especial aos pobres,
atuando profeticamente na construção de uma sociedade justa e solidária.
A construção desta nova sociedade
não se dará somente pelos doutores das leis, políticos ou grandes empresários,
que estão atrelados ao dinheiro e ao poder. O próprio Jesus apresentou aos
discípulos, e apresenta a cada um de nós, o verdadeiro itinerário necessário
para as mudanças estruturais que a sociedade precisa, que se revela numa
atitude de amor e compaixão aos irmãos/as expressa numa atitude de serviço e
resgate da dignidade da pessoa humana como filho/a, imagem e semelhança de
Deus: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que
serve a todos!” (Mc 9,35).
O cartaz da CF expressa a
dimensão do serviço, onde o Papa coloca-se aos pés do próximo para lava-los,
atitude que é a expressão de amor capaz de levar a pessoa a entregar sua vida
pelo outro. Viver a dimensão do serviço é o primeiro passo para realizar muitas
mudanças que a sociedade necessita. Essas mudanças serão possíveis de
concretiza-las, trabalhando em conjunto Igreja e outras instituições de forma
participativa, misericordiosa e samaritana, seguindo o próprio exemplo do Papa
Francisco.
A catequese como espaço por
excelência de formação da fé, não pode estar descolada da dimensão da vida. A
formação desenvolvida pela catequese deve auxiliar os catequizandos a
descobrirem qual deverá ser seu papel na sociedade, enquanto cidadãos,
construtores de novos valores, necessários para contribuir para fortalecer o
papel da Igreja na mudança da sociedade. Desta forma, a catequese estará
contribuindo com a formação de novos cidadãos que atendem ao chamado de serem
“Sal da Terra e Luz para o mundo” (Mt 5-13-16).
* Artigo publicado no jornal Missão Jovem edição de março de 2015
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