2015: um ano dedicado a paz*
Fernando Anísio Batista
Durante a 52ª Assembleia Geral da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi aprovada, por unanimidade,
a realização do Ano da Paz, que teve início no primeiro domingo do advento (30
de novembro de 2014) e se encerrará no natal de 2015.
Entre diversos elementos que
justificam a CNBB tomar tal decisão, como o aumento da violência em todos os
níveis nas pequenas e grandes cidades brasileiras, as atitudes do Papa
Francisco na promoção da paz tornaram-se inspiração. Atitudes como a realização
da vigília pela paz na Praça São Pedro no dia 07 de setembro de 2013, a oração
conjunta com o presidente de Israel, a autoridade palestina e o patriarca de
Constantenopla no dia 08 de junho de 2014, a oração na Mesquita em Istambul em sua
viagem feita a Turquia nos dias 28 a 30 de novembro.
Na abertura do ano da paz, o secretário-geral
da CNBB, Dom Leonardo Steiner, explicou que o ano do país pode auxiliar na
reflexão dobre os motivos que levam a violência: “Um ano da paz pode nos ajudar
a refletir sobre o porquê da violência e a necessidade da paz. Mas também
busca, junto as nossas comunidades, momentos onde as pessoas possam expressar
que desejam viver em harmonia e fraternidade”.
O Brasil é um dos países mais
violentos do mundo, com alta taxa de homicídios, suicídios, acidentes
automobilísticos, sem contar outras expressões da violência como a violência
moral, sexual e social. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa
a 11ª maior taxa de homicídios do mundo.
Não existe apenas uma causa que
gera violência. São várias situações, que impulsionam a pessoa a ter uma
atitude violenta. No entanto, a falta de uma cultura da paz é o elemento
central, gerador de toda violência.
Na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho,
o Papa Francisco ressalta que enquanto não se eliminarem a exclusão social e a
desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível
erradicar a violência que, venenosamente, consome vidas, mata sonhos e atrasa
avanços.
O ano da paz pode ser vivido e
celebrado de diferentes formas nas paróquias, comunidades e grupos. Não se
trata de grandes eventos, mas reflexões profundas em seminários, debates,
caminhadas e encontros, que busquem a reflexão voltada na disseminação de uma
cultura da paz, contra as diversas formas de violência, em seus diferentes
graus e estágios.
*Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese edição de fevereiro de 2015
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