segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

2015: um ano dedicado a paz*
Fernando Anísio Batista

Durante a 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi aprovada, por unanimidade, a realização do Ano da Paz, que teve início no primeiro domingo do advento (30 de novembro de 2014) e se encerrará no natal de 2015.

Entre diversos elementos que justificam a CNBB tomar tal decisão, como o aumento da violência em todos os níveis nas pequenas e grandes cidades brasileiras, as atitudes do Papa Francisco na promoção da paz tornaram-se inspiração. Atitudes como a realização da vigília pela paz na Praça São Pedro no dia 07 de setembro de 2013, a oração conjunta com o presidente de Israel, a autoridade palestina e o patriarca de Constantenopla no dia 08 de junho de 2014, a oração na Mesquita em Istambul em sua viagem feita a Turquia nos dias 28 a 30 de novembro.

Na abertura do ano da paz, o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, explicou que o ano do país pode auxiliar na reflexão dobre os motivos que levam a violência: “Um ano da paz pode nos ajudar a refletir sobre o porquê da violência e a necessidade da paz. Mas também busca, junto as nossas comunidades, momentos onde as pessoas possam expressar que desejam viver em harmonia e fraternidade”.

O Brasil é um dos países mais violentos do mundo, com alta taxa de homicídios, suicídios, acidentes automobilísticos, sem contar outras expressões da violência como a violência moral, sexual e social. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa a 11ª maior taxa de homicídios do mundo.


Não existe apenas uma causa que gera violência. São várias situações, que impulsionam a pessoa a ter uma atitude violenta. No entanto, a falta de uma cultura da paz é o elemento central, gerador de toda violência.

Na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, o Papa Francisco ressalta que enquanto não se eliminarem a exclusão social e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível erradicar a violência que, venenosamente, consome vidas, mata sonhos e atrasa avanços.

O ano da paz pode ser vivido e celebrado de diferentes formas nas paróquias, comunidades e grupos. Não se trata de grandes eventos, mas reflexões profundas em seminários, debates, caminhadas e encontros, que busquem a reflexão voltada na disseminação de uma cultura da paz, contra as diversas formas de violência, em seus diferentes graus e estágios.


*Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese edição de fevereiro de 2015

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