Cristão e Política: é possível uma relação?
Fernando Anísio Batista
NÃO! Não é possível um discípulo e missionário de cristo se
envolver com a política da forma que ela está concebida nos dias atuais. As
manifestações de junho e julho de 2013 revelaram o desejo de milhares de brasileiros/as
por mais investimentos na saúde, transporte público, na educação, entre outros.
Mostraram que existe um abismo entre o que a população quer com a atuação política no país. Atualmente os
políticos que são os representantes do povo ao entrar “nos palácios imperiais”
esquecem que verdadeira missão na política é promover o bem comum para a
“polis”, que dizer para todos os cidadãos.
O modelo político atual é baseado
na troca de favores, numa atitude totalmente clientelista que só visam o
benefício pessoal dos envolvidos, criando em todas as esferas da política
brasileira um ciclo vicioso do “querer se dar bem”, que abrem grandes chagas
impedindo uma ação em favor do bem comum, principalmente no atendimento aos
excluídos/as. No geral, são pequenos grupos que se favorecem (geralmente
grandes empresários), que utilizam as campanhas eleitorais para deixar cair as
migalhas de seus banquetes para os Lázaros da vida (Cf. Lc 16, 19-21).
Sendo assim, não é possível um
cristão comprometido participar da política e reproduzir a forma como ela está
sendo conduzida no Brasil.
Mas por outro lado...
SIM! É possível e necessário ter cristãos comprometidos com a vida
participando da política, somente assim será semeando trigo no meio do joio
(Cf. Mt 13,24-30). Para isso, é necessário ser um/a verdadeiro/a discípulo/a e
missionário/a de Jesus, com atitudes proféticas de denuncia e também de
anuncio. Negado os esquemas e sistemas consolidados na política que trazem
corrupção, negação de direitos, enriquecimento ilícito. Lutando em favor da
vida, principalmente onde ela é negada (Cf. Jo 10,10).
Quantos/as candidatos/as que você
conhece que tem atitudes assim?
Pense nisso na hora de vota!
*Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese edição de Setembro de 2014 (pg. 5)
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