segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Projeto de Vida e Mudança Social
Fernando Anísio Batista

A sociedade atual apresenta diversos valores e contra-valores. Na verdade existe uma grande confusão nestas definições, pois os contra-valores muitas vezes são apresentados como valores supremos, como é o caso dos programas de televisão. Por isso, para manter uma ética pessoal e nutrir valores autênticos, as pessoas devem ter convicção em seus ideais e buscá-los constantemente.

Uma forma inteligente e criativa de manter-se firme na busca da integridade pessoal é construir um projeto de vida, onde a pessoa a partir de sua história de vida faz uma projeção para o futuro, incluindo diversas dimensões da vida, como: saúde, educação, moradia, família, profissão e atuação social.

Essa ideia inicialmente parece estranha, pois não fomos orientados desde a infância para isso. Ao contrário, quando criança sempre nos fizeram aquela pergunta que nos pressiona e aprisiona:  “o que você quer ser quando crescer?”. Sufocando um leque de possibilidades que podem surgir ainda na infância. No entanto, a falta de um projeto de vida trás um grande vazio no sentido da vida, pois não se tem claro quem sou e onde quero chegar.

Na busca de ampliar o sentido da vida, deve-se incluir um elemento central para a realização pessoal e a conquista da felicidade, que é a solidariedade. Quando nos abrimos para pensar também nos outros, saímos do individualismo que estamos “condicionados” a partir da dinâmica da sociedade contemporânea, encontrando um novo sentido para a vida.

Para incluir essa dimensão no projeto de vida, deve-se responder essa pergunta: como posso contribuir para a melhoria da comunidade onde vivo? A resposta trará elementos a partir da história e experiência de vida de cada pessoa. Contudo, ela deve contemplar a integração com outros grupos que buscam a mudança da sociedade, da comunidade e de pessoas, como é o caso das associações de moradores, igrejas, instituições de ensino e outros grupos ativos de mudanças sociais.

Muitas pessoas atuam nesta perspectiva, atuando efetivamente nos diversos grupos, movimentos, pastorais e organizações sociais da comunidade. Essas pessoas geralmente buscam o desenvolvimento das comunidades onde moram, primando pela qualidade de vida, justiça social e organização comunitária. Elas fortalecem o sentido de pertencimento a uma comunidade, a cidade e ao país, rompendo com a fragmentação das organizações sociais e com o individualismo.


Sugerimos que cada pessoa faça o exercício de avaliar sua dinâmica de vida e perceber quais são as lacunas existentes. Caso a participação social seja uma lacuna, procure saber quais são as grandes necessidades existentes ao seu redor, porém, juntamente com seu grupo procure perceber também quais são as possibilidades que permitem maior participação e melhoria de vida para todos.

* Artigo escrito em 09/05/2011, sem nenhuma publicação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário