sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Eleições 2014: um passo a mais na construção de um novo país e uma nova sociedade

Fernando Anísio Batista

As manifestações de junho e julho de 2013 revelaram o desejo de milhares de brasileiros/as por mais investimentos na saúde, transporte público, na educação, entre outros. Mostraram que existe um abismo entre o que a população quer e a atuação política no país, são os representantes do povo que ao entrar “nos palácios imperiais” esquecem que verdadeira missão na política é promover o bem comum para a “polis”, que dizer para todos os cidadãos.
Apesar de presenciarmos diversos avanços num período recente da nossa história, principalmente no aumento da renda de milhares de famílias brasileira e com a diminuição considerável da taxa de desemprego, ainda existe muitos desafios que deverão ser pautados nesta eleição, com propostas claras de sua superação, conforme apresentamos abaixo:
1) diminuição dos gastos com a divida pública que hoje representa  40% do orçamento público, enquanto existe menos de 5% para a educação e menos de 4% para a saúde;
2) garantia dos direitos dos povos indígenas e quilombolas, que estão sendo perseguidos por causa da construção de grandes hidrelétricas e com o avanço do agronegócio;
3) aceleração da reforma agrária, que pouco avançou nestes últimos anos;
4) a continuidade das privatizações, inclusive do pré-sal;
5) aumento da desigualdade social provocada pelo sistema tributário, onde a maior parte dos impostos recai no consumo e não sobre a renda;
6)a dominação dos grandes meios de comunicação, sendo que defendem em primeiro lugar os interesses dos grandes grupos econômicos;
7) a crise ecológica provocada pelo aumento do consumo no sistema capitalista.
Esses desafios serão superados de forem eleitos/as candidatos/as comprometidos com a população, não com grandes grupos econômicos que buscam se favorecer após a eleição. Por isso cabe a cada cristão uma atitude ética e profética neste período eleitoral e após as eleições, fortalecendo as iniciativas já existentes que a própria Igreja Católica tem contribuído na organização, que são:
 Grupos de Acompanhamento ao Legislativo e ao Executivo, para exercer o controle social sobre a ação política dos eleitos.
Reforma Política Urgente, a corrupção no Brasil começa com as campanhas eleitorais que são financiadas pelas empresas, por isso, é necessário realizar uma ampla reforma que inicia com mudanças no atual sistema eleitora, ampliando para uma nova visão da estrutura de poder no país, garantindo a participação popular. Para isso, a CNBB e outras 90 entidades e movimentos sociais estão coletando assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular semelhante a Ficha Limpa, que prevê alterações na forma de organização das eleições no Brasil, maiores informações poderão ser obtidas no site: www.reformapoliticademocratica.org.br
Os cristãos têm muito há fazer, pois não basta votar, devemos ter a consciência que nossa responsabilidade não encerra com as eleições, é necessário proceder um rigoroso acompanhamento do trabalho dos eleitos e contribuir para o amadurecimento do processo democrático no país.



Texto publicado no Jornal Missão Jovem em outubro de 2014 

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