Por uma Igreja da porta para fora
Fernando Anísio Batista*
A Igreja Católica vive um momento
muito significativo em sua história. As atitudes do Papa Francisco sugerem que
a Igreja se abra para dialogar com a sociedade. Em momento de crise mundial o
esperado das instituições é justamente o contrário: fechar-se e proteger-se. No
entanto, o Papa Francisco como um grande líder mundial está promovendo a
cultura do encontro, ao invés da cultura do protecionismo e do isolamento.
Na Exortação Apostólica Evangelli Gaudium o Papa convida para
vivência de uma Igreja em saída: “saímos, saímos para oferecer a todos a vida
de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter
saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se
agarrar às próprias seguranças” (EG 49).
A Igreja do Brasil tem atendido
ao convite do santo padre e a Campanha da Fraternidade deste ano lança o
desafio de refletir sobre a relação entre a Igreja e a sociedade, no sentido de
perceber de que forma a Igreja influencia e é influenciada pela sociedade, uma
vez que é parte integrante dela. Esse tema já propõe a quebra de um paradigma
do senso comum que diz que a Igreja não deve se envolver em assuntos sociais ou
políticos, que sua missão é meramente a evangelização. Esse paradigma retém uma
visão da propagação do evangelho afastado do mundo que vivemos, onde estabelece
uma relação unilateral entre a pessoa e Deus, esquecendo-se da relação em
comunidade e em sociedade, elementos que formam os três âmbitos da ação
evangelizadora (pessoa, comunidade e sociedade).
O anúncio do evangelho da porta
para fora da Igreja não é tarefa fácil e muitas vezes desperta espiritualidade
de conflito, muito própria daqueles/as que desejam arduamente torna-se
discípulos/as e missionários/as de Jesus. Viver essa espiritualidade significa
a vivência profética do anuncio da Boa Nova, mas também a denuncia quando há
injustiça.
Hoje na Igreja da Arquidiocesana
há muitas pessoas, movimentos e pastorais que vivenciam essa experiência de
viver a Igreja também da porta para fora, basta conhecer todo trabalho que é
realizado nas periferias, nos hospitais, presídios, com moradores de rua, nos
conselhos paritários, com dependentes químicos. Mas ainda há um chamado! Não
podemos nos acomodar com o que já existe. Há muito a ser feito e somente as
pessoas de boa vontade contribuirão com um mundo mais justo e solidário.
Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese edição Abril de 2015,
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