quinta-feira, 9 de abril de 2015

Por uma Igreja da porta para fora
Fernando Anísio Batista*

A Igreja Católica vive um momento muito significativo em sua história. As atitudes do Papa Francisco sugerem que a Igreja se abra para dialogar com a sociedade. Em momento de crise mundial o esperado das instituições é justamente o contrário: fechar-se e proteger-se. No entanto, o Papa Francisco como um grande líder mundial está promovendo a cultura do encontro, ao invés da cultura do protecionismo e do isolamento.
Na Exortação Apostólica Evangelli Gaudium o Papa convida para vivência de uma Igreja em saída: “saímos, saímos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49).
A Igreja do Brasil tem atendido ao convite do santo padre e a Campanha da Fraternidade deste ano lança o desafio de refletir sobre a relação entre a Igreja e a sociedade, no sentido de perceber de que forma a Igreja influencia e é influenciada pela sociedade, uma vez que é parte integrante dela. Esse tema já propõe a quebra de um paradigma do senso comum que diz que a Igreja não deve se envolver em assuntos sociais ou políticos, que sua missão é meramente a evangelização. Esse paradigma retém uma visão da propagação do evangelho afastado do mundo que vivemos, onde estabelece uma relação unilateral entre a pessoa e Deus, esquecendo-se da relação em comunidade e em sociedade, elementos que formam os três âmbitos da ação evangelizadora (pessoa, comunidade e sociedade).
O anúncio do evangelho da porta para fora da Igreja não é tarefa fácil e muitas vezes desperta espiritualidade de conflito, muito própria daqueles/as que desejam arduamente torna-se discípulos/as e missionários/as de Jesus. Viver essa espiritualidade significa a vivência profética do anuncio da Boa Nova, mas também a denuncia quando há injustiça.

Hoje na Igreja da Arquidiocesana há muitas pessoas, movimentos e pastorais que vivenciam essa experiência de viver a Igreja também da porta para fora, basta conhecer todo trabalho que é realizado nas periferias, nos hospitais, presídios, com moradores de rua, nos conselhos paritários, com dependentes químicos. Mas ainda há um chamado! Não podemos nos acomodar com o que já existe. Há muito a ser feito e somente as pessoas de boa vontade contribuirão com um mundo mais justo e solidário.

Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese edição Abril de 2015,

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