quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PRIMAVERA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Começou a primavera, estação das flores e dos amores; tempo de novos sons, novos cantos e novas cores. O céu, o ar, os campos e as ruas parecem ganhar outra vida, a natureza renasce e deixa na alma uma saudade indecifrável de um paraíso que já se foi ou que ainda está por vir.

Seria exagero afirmar que a primavera é, por excelência, a estação dos movimentos sociais? Não são eles que, no velho terreno da história, lançam sementes que renovam rumos e horizontes, cultivando iniciativas inovadoras e criativas e fazendo por todos os lados germinar botões que, cedo ou tarde, hão de desabrochar em flor?

A superfície do planeta exibe hoje um triste cenário de escombros, as coisas e os seres vivos sofrem os efeitos de uma civilização predatória: tudo se vende, tudo se compra, tudo se troca, tudo se mercantiliza! As ruínas vão se acumulando e expondo a nudez de um mundo sem alma. No olhar vago e perdido das pessoas, na agonia das águas contaminadas, na fauna e na flora devastadas, na extinção irreversível das espécies, flagram-se instantâneos de um retrato sinistro que afeta todas as formas de vida.

Apesar dos alertas, os ventos de uma destruição progressiva continuam rugindo furiosamente contra nossas portas e janelas, anunciando pela mídia catástrofes cada vez mais trágicas. Fome e miséria convivem com a idolatria do corpo e do mercado de consumo, o despovoamento e o deserto junto com as multidões apinhadas nas metrópoles, as "casas fortaleza" com o desemprego e a droga, a violência e o crime. Respira-se um oxigênio poluído e revestido de medo e insegurança: os cidadãos tornaram-se reféns de seus jovens e adolescentes, ao mesmo tempo réus e vítimas da crescente exclusão social. Enquanto isso, de seu trono indiferente e inacessível, mas de barro, o império e o tirano vomitam leis, espalham soldados e semeiam o terror.

Em meio a este inverno frio e rigoroso da devastação, despontam por toda parte as flores e os sinais da primavera: milhares de organizações e movimentos ocupam ruas e campos, tomam páginas de jornais e espaço nos meios de comunicação social. Um rumor de passos e de vozes, de cantos e de tambores ressoa no coração de homens e mulheres e no ventre da terra. O chão foi fecundado pela força das mobilizações populares, uma nova criança está a caminho, a marcha avança, a história e cada ser vivo gemem e sofrem as dores do parto.

A primavera dos movimentos sociais proclama em volta alta que, se a gente quiser e se organizar, "um outro mundo é possível".
Começou a primavera, estação das flores e dos amores; tempo de novos sons, novos cantos e novas cores. O céu, o ar, os campos e as ruas parecem ganhar outra vida, a natureza renasce e deixa na alma uma saudade indecifrável de um paraíso que já se foi ou que ainda está por vir.

Seria exagero afirmar que a primavera é, por excelência, a estação dos movimentos sociais? Não são eles que, no velho terreno da história, lançam sementes que renovam rumos e horizontes, cultivando iniciativas inovadoras e criativas e fazendo por todos os lados germinar botões que, cedo ou tarde, hão de desabrochar em flor?

A superfície do planeta exibe hoje um triste cenário de escombros, as coisas e os seres vivos sofrem os efeitos de uma civilização predatória: tudo se vende, tudo se compra, tudo se troca, tudo se mercantiliza! As ruínas vão se acumulando e expondo a nudez de um mundo sem alma. No olhar vago e perdido das pessoas, na agonia das águas contaminadas, na fauna e na flora devastadas, na extinção irreversível das espécies, flagram-se instantâneos de um retrato sinistro que afeta todas as formas de vida.

Apesar dos alertas, os ventos de uma destruição progressiva continuam rugindo furiosamente contra nossas portas e janelas, anunciando pela mídia catástrofes cada vez mais trágicas. Fome e miséria convivem com a idolatria do corpo e do mercado de consumo, o despovoamento e o deserto junto com as multidões apinhadas nas metrópoles, as "casas fortaleza" com o desemprego e a droga, a violência e o crime. Respira-se um oxigênio poluído e revestido de medo e insegurança: os cidadãos tornaram-se reféns de seus jovens e adolescentes, ao mesmo tempo réus e vítimas da crescente exclusão social. Enquanto isso, de seu trono indiferente e inacessível, mas de barro, o império e o tirano vomitam leis, espalham soldados e semeiam o terror.

Em meio a este inverno frio e rigoroso da devastação, despontam por toda parte as flores e os sinais da primavera: milhares de organizações e movimentos ocupam ruas e campos, tomam páginas de jornais e espaço nos meios de comunicação social. Um rumor de passos e de vozes, de cantos e de tambores ressoa no coração de homens e mulheres e no ventre da terra. O chão foi fecundado pela força das mobilizações populares, uma nova criança está a caminho, a marcha avança, a história e cada ser vivo gemem e sofrem as dores do parto.

A primavera dos movimentos sociais proclama em volta alta que, se a gente quiser e se organizar, "um outro mundo é possível".

(Autor: Alfredo J. Gonçalves)

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